Agora que o Google dominou o mundo, ainda precisamos de menus hierárquicos?

Publicado: agosto 26, 2010 em Arquitetura de Informação 2010/2
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Por alenahra

Esses dias a questão pulou da boca de um entrevistado: “Depois que surgiu o Google, a gente se acostumou a simplesmente digitar uma palavra, apertar ok e encontrar tudo sobre o assunto”.

Em outras palavras, esse usuário prioriza a busca em detrimento da navegação. Não tenho dados sobre quantas pessoas preferem buscar ao invés de navegar. Mas, baseado no que vejo em testes de usabilidade, entrevistas e observação contextual – além da vida diária nesse lugar chamado internet -, acredito que as pessoas estão cada vez buscando mais. Afinal, como bem apontou o entrevistado, a gente se acostumou com o Google.

Então, por que nós arquitetos de informação damos tanta importância à estruturação de menus hierárquicos? Não conseguimos começar nada antes de fazer um sitemap. Esquecemos que mesmo a home page às vezes nem é vista pelos usuários que chegam direto a alguma página interna a partir de uma lista de resultados de busca.

Menus hierárquicos e taxonomias são importantes, é claro, e não me parece que vão deixar de ser. A informação precisa “morar” em algum lugar. Além disso, certos usuários não sabem o que querem, e não saberão que palavra digitar numa interface de busca. Não saberão como achar um conteúdo a não ser que este conteúdo lhes seja oferecido. Os conteúdos precisam ser apresentados em uma vitrine – na home page e/ou num menu hierárquico.

Mas as coisas importantes também têm uma estrutura hierárquica. Então, vamos primeiro às mais importantes – que talvez seja estruturar a informação/conteúdo pensando em formas de acesso nem sempre lineares e organizadas – e sim diferenciadas, caóticas, bagunçadas. Como a vida.

No Summit de 2008, na pré-conferência”Information Architecture 3.0″, Peter Morville disse que a arquitetura de informação do futuro contemplaria a habilidade criar uma camada de estrutura para o conteúdo e a classificação criados pelo usuário. Ou seja, deixar o usuário criar conteúdo e classificações (“be messy, experiment the whole data thing”), e depois organizar isso e otimizar as formas de apresentação e de busca (“help people refine what they are doing”).

Se o trabalho do AI será fortemente centrado em classificar e indexar o conteúdo de maneira robusta e não necessariamente hierárquica, mas olhando as relações entre os conteúdos, as palavras-chave e os objetos, realmente o que fazemos está mudando. Já não é mais desenhar caixinhas em wireframes – e talvez daqui a pouco também não seja colocar conteúdos dentro de (outras) caixinhas e etiquetá-las.

Nós somos os caras que planejam os ambientes em que as pessoas vão se relacionar e mudar sua cultura. Pense nisso.

Fonte: Bibliotecário Virtual

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