Diferenças entre UX, AI, IxD e DI

Publicado: agosto 25, 2010 em Arquitetura de Informação 2010/2
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March 12th, 2010  |  Published in Arquitetura da Informação, Cognição Aumentada, Design de Interação, Design for Behavior, User Experience

Arquitetura da Informação e Design de Interação > Design de Inteface

Tenho pensando no que difere a arquitetura da informação e o design de interação (para isso, vou ter que agrupar as 2 disciplinas profissionais, embora existam diferenças entre si) do design de interface. Tem um algo a mais nessas práticas de AI e IxD do que “diagramação pro digital orientada para atividade”. Isso seria o design de interface ou o design gráfico aplicado às “novas mídias” (clichê). Esse “algo a mais” que acho difícil definir até onde vai… Algumas hipóteses não mutuamente exclusivas entre si:

A conceitualização, planejamento, design thinking ou inteligência digital

A etapa anterior ao design de interface em si. “Planejamento interativo” ou “planejamento digital”, embora precisos, remetem muito pro lado do planejamento em agências (não existe o cargo de “planejamento” ou ˜direção de criação” fora delas – sim, é um absurdo convencional), que tem mais a ver com marketing do que com design.
“Inteligência digital” seria uma alternativa.. Antes de mistificar o termo “inteligência”, dou algumas definições do Steven Pinker:

Inteligência é a capacidade de atingir objetivos diante de obstáculos, por meio de decisões baseadas em regras racionais (que correspondem com a realidade ou correção das inferências).

Inteligência consiste em especificar um objetivo, avaliar a situação vigente para saber como ela difere do objetivo e por em prática uma série de operações para reduzir a diferença.

Inteligência consiste em usar conhecimento sobre como as coisas funcionam para atingir objetivos em face de obstáculos.

O que chamo aqui de “inteligência digital” seria apenas uma questão de usar o conhecimento sobre como o digital funciona para atingir objetivos em face de obstáculos. Uma atividade de planejamento ou conceitualização, dentro do que chamamos de arquitetura da informação e design de interação (conceitualizar a ferramenta explorando o meio). Acho que um rótulo que englobaria isso de forma mais completa seria o “design digital” (se com a revolução industrial, veio o design industrial, com a revolução digital, viria o design digital, não essa sopinha de letras que compõem o título deste post). Essa conceitualização ou inteligência digital é um dos fatores que distinguem a arquitetura da informação e o design de interação do design de interface. A inserção do designer na criação e planejamento de regras de negócio que refletem a inteligência do sistema é o que caracterizaria o “design thinking” no digital.

O uso do digital pra diagramação.

O computador permite inserir uma certa “inteligência digital” na diagramação, através da sensibilidade ao contexto, em um nível que não é possível no papel. Conteúdo personalizado (ao invés de massificado), por demanda, por grupos de usuários, por recomendações, por relacionamentos são mais relevantes e servem como um filtro, de acordo com o contexto – geográfico, histórico e de interação. Essa consideração pela relevância acho que é algo que também distinguem a arquitetura da informação e o design de interação do design de interface.

O uso do digital não só pra diagramação, mas pra utilidade.

O computador também permite inserir uma certa “inteligência digital” fora da diagramação, através da capacidade de cálculo e memória para alocar pro computador determinados tipos de tarefa que combinem estes recursos, e com isso, aumentar a utilidade do software e o desempenho do usuário. Talvez uma das coisas mais promissoras pra área de IHC seja definir quais são estes tipos de tarefas que requerem a combinação de cálculo e memória. Acho que o xadrez e a estatística seriam protótipos de atividades onde o computador combina cálculo com memória pra ter um desempenho excelente (e superior ao homem). Ferramentas de recomendação e de estimativas também são bom usos da combinação desses recursos, que também distinguem a arquitetura da informação e o design de interação do design de interface…

O uso da rede no digital.

A maioria dos projetos envolve não só o digital, mas o digital proporcionando a rede em alguma mídia: relações sociais mediadas pelo computador. Ou seja, muitas vezes, não é só um design digital, mas um design digital de ferramentas ou mídias sociais. Explorar o social e a comunicação na conceitualização quase sempre é uma premissa da arquitetura da informação e do design de interação, que também distinguem essas práticas do design de interface.

Enfim… Na minha opinião, o que difere as práticas de arquitetura da informação e design de interação do design de interface é a questão de encarar não apenas a interação entre o sistema e o usuário na interface, mas também diversos outros aspectos relacionados ao uso e ao desempenho desejado do usuário (talvez pudessemos falar de relações ecológicas ao invés de uso da interface). A interface, o próprio sistema e o meio digital e da rede, são meios para alcançar outros fins – geralmente desempenhos do usuário desejados.

A expressão já quase extinta “engenharia de usabilidade” deixava isso mais explícito do que a expressão “design da experiência do usuário” (o termo “engenharia” acabava implicando a intenção de modelar desempenhos com critérios desejados através do conhecimento científico, enquanto o termo “design” ainda é vago – e quando misturado com “experiência”, acaba falando menos coisa ainda). A proposta da engenharia da usabilidade era de especificar os critérios de desempenhos desejados e a partir deles, arranjar as condições que facilitavam alcançar os critérios de desempenho desejados. Mas acho que a engenharia de usabilidade (e a própria IHC, que juntas, davam a base teórica para a prática do design de interface) tinha seu limite na interface, não iam para outros pontos da relação homem-computador. A questão de divisão do trabalho (entre o homem e o computador) e/ou outras “regras de negócio” e “inteligência do sistema” (questões que agora são focadas na fase de conceitualização ou planejamento dos projetos que arquitetos de informação e designers de interação participam) não eram tão bem focadas fora da interface (temos heurística pra deixar o usuário sobre controle, mas isso no uso da interface, não na visão mais ampla ou ecológica da relação homem-computador como um quadro maior).

Arquitetura da Informação e Design de Interação < User Experience Design

Embora a arquitetura da informação e o design de interação abordem o relacionamento homem-computador de forma mais ampla, sistêmica ou ecológica (não apenas na interação via interface), creio que ainda existe uma fronteira entre elas e o rótulo “user experience design”. Este último pretende englobar toda e qualquer interação que a pessoa tem com o produto, serviço e a marca da empresa, como em um “gerenciamento do relacionamento com o consumidor”, o que seria muito mais uma atividade operacional de um gestor do que uma atividade projetual de um designer. Ao tratar do gerenciamento do relacionamento com o consumidor, temos diversos tipos diferentes de experiências….

A experiência de uso (previamente e mais rigorosamente conhecida como “usabilidade” – e geralmente tida como responsabilidade do designer) é uma coisa. A experiência de consumo (geramente tida como responsabilidade do comercial / marketing) é outra coisa. As 2 são “experiências”, envolvem interação da pessoa com um produto, mas em momentos diferentes. Se fossemos descrever o que uma pessoa está sentindo, fazendo, e pensando nessas interações com o produto / marca, seriam coisas bem diferentes (em um momento, ela é um usuário, no momento anterior, ela é um consumidor em potencial). Se formos considerar o ˜design para a experiência do usuário” como o gerenciamento do relacionamento com o consumidor, temos que assumir que isto é uma atividade operacional de toda a empresa, e não apenas da equipe de design. O termo “design” aí perde o sentido…

Arquitetura da Informação e Design de Interação = Design for Behavior

Na minha opinião, embora designers gostem de ver a si mesmo como médicos, até médicos não são responsáveis por todo a interação do paciente com um determinado sistema de saúde. Uma pessoa, que pro médico, é seu paciente, pro atendente, é um cliente. São interações diferentes, com papéis diferentes e em momentos diferentes. O médico não tem controle ou responsabilidade sobre todas essas interações, apenas por algumas. Da mesma forma, o designer não tem controle ou responsabilidade sobre todas as interações da pessoa com a marca ou produto, apenas por algumas. Se formos considerar realmente o “design para experiência do usuário” como uma atividade projetual, teríamos que entendê-la não como o gerenciamento do relacionamento com o consumidor, mas como o design digital orientado para desempenhos do usuário (ou simplesmente, design for behavior). Na realidade, poderíamos substituir a proposta do “design da experiência do usuário” para a proposta do “design digital para o comportamento”.

Fonte:  http://www.lucianolobato.com.br/?p=618

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comentários
  1. Alan Pereira disse:

    Muito interessante essas diferença! É sinal que estamos evoluindo.

    • kahheart disse:

      Certamente, Alan. Vale a pena ter contato com as pessoas que trabalham diretamente com isso. Eles sempre têm muita novidade pra mostrar e novos conceitos pra ensinar.

      A propósito, como conheceste meu blog? o.O

      Valeu pelo commets! =D

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