A gestão de competências dos arquitetos da informação nas organizações

Publicado: fevereiro 2, 2011 em Arquitetura de Informação 2010/2, Biblioteconomia, Ciência da Informação, Internet
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A gestão de competências dos arquitetos da informação nas organizações
(The information architects competences management in organizations)
por José Juan Peón Espantoso
Fonte: DataGramaZero

Resumo: Apresenta considerações sobre o profissional da informação que atua no gerenciamento de espaços digitais em ambientes de arquitetura da informação organizacional. São discutidas a gestão das competências pessoais, informacionais e organizacionais e sua importância para o trabalho do arquiteto da informação.

Palavras-chave: Competências; Arquitetura da informação, Gestão de competências; Profissional da informação; Arquiteto da informação.

Introdução
A quantidade e a facilidade de acesso a informação disponibilizada na era da Sociedade da Informação provocam profundas transformações nas comunicações e nas relações humanas. A forma com que a informação percorre grandes distâncias é uma característica marcante dos novos tempos e expressa a necessidade de se atualizar mecanismos destinados ao gerenciamento de conteúdos para que estes apresentem de forma adequada e sistemática respostas aos diversos tipos de demandas.

A rapidez com que a informação percorre grandes distâncias é uma característica marcante dos novos tempos e expressa a necessidade de atualização de mecanismos de gerenciamento de conteúdos que levem em consideração, entre outros aspectos, a capacidade e a forma com que o ser humano processa informações. Neste cenário, as organizações, consideradas como conjuntos formais de pessoas e demais recursos estabelecidos para atingir determinados objetivos e detentoras de conteúdos procuram elaborar aplicações e estratégias de gerenciamento da informação eficientes em um esforço profícuo de abastecer com informação a todos que a elas recorrem e assim, melhor gerir seus recursos, como descrito no texto abaixo:

A organização é, mais do que uma máquina, ela é mais do que econômica, definida pelos resultados alcançados pelo mercado. A organização é acima de tudo social. São pessoas. Seu propósito deve ser o de tornar eficazes os pontos fortes das pessoas e irrelevantes suas fraquezas. Na verdade, essa é a única coisa que a organização pode fazer – a única razão pela qual existe e precisamos dela. As organizações serão moldadas de formas cada vez mais diferentes – por propósitos, tipos de atividade e cultura. (Drucker, 1997, p. 15)
O grande desafio, desta forma, para as organizações está na busca e utilização de instrumentos de gestão, que descrevam e estimulem a confecção de estudos sobre competências, em um processo de exploração de recursos que valorize seus quadros e as tornem mais eficientes. Para que os processos organizacionais sejam efetivos é necessário que existam competentes indivíduos em seus quadros. O conceito de competência está originalmente centrado no individuo, ou pelo menos na capacidade de que algum indivíduo possua, ou possa adquirir tal predicado. A competência é dinâmica e definida como um processo de desenvolvimento contínuo que aglutina diversos componentes. As competências podem ser mais bem caracterizadas quando relacionadas ao ambiente organizacional ou ao contexto laboral a qual se destina. Como sugere Fernandes (2004) os estudos sobre competências envolvem como componentes básicos: conhecimentos, habilidades e atitudes que agregam valores quando aplicadas a contextos organizacionais.

As modificações ocasionadas pelas novas estratégias organizacionais que visam acompanhar os mercados emergentes, principalmente na Sociedade da Informação, trouxeram em seu bojo a necessidade de realização de mapeamentos de conjuntos de competências com a finalidade de identificar os perfis dos profissionais de informação. A definição de um núcleo duro de competências para alguns domínios ainda se encontra em estado embrionário, mas sua investigação serve de subsídio para a elaboração de pesquisas e estudos prospectivos que direcionam organizações e estabelecimentos de ensino na captação de investimentos e demais esforços necessários na formação e/ou especialização do profissional da informação.


Os profissionais da informação e os arquitetos da informação
Um dos princípios fundamentais que norteiam a caracterização da informação é que esta possui valor relativo que somente é percebido quando aplicado a um contexto. Sua mensuração é realizada por profissionais experientes, considerados experts no armazenamento, recuperação e disseminação da informação assumindo, desta forma, papéis de protagonistas na Sociedade da Informação. Este indivíduo denominado de profissional da informação atua em ambientes multidisciplinares que para o pleno exercício de suas atribuições necessita de conjuntos de habilidades e atributos diferenciados, (Feather, 2006).

A busca por uma identidade para o profissional da informação na perspectiva de Souza (2004, p. 90-91) é um dos maiores desafios para os estudiosos no assunto. De maneira geral, os indivíduos sob o aspecto psicossocial, possuem uma necessidade inata de buscar papéis para seu desempenho profissional e, assim, delinearem fundamentos que caracterizem contornos e escopos de suas atuações em ambientes organizacionais. No caso do profissional da informação estas atividades se tornam complexas, pois envolve a aplicação de conceitos em diversos campos do saber, o que pode ser percebido no texto a seguir:

Como profissionais da informação, nos vivemos em um período excitante. Gerenciar informação se tornou mais importante que nunca. Nós temos novas ferramentas e ideias criativas que surgem auxiliando as pessoas no gerenciamento da informação. Pense sobre o desenvolvimento que presenciamos nos últimos dez anos: motores de busca na internet, wikis, peer-to-peer, compartilhamento de arquivos, e blogs. (Heye, 2006, p. 253, tradução do autor)

Na Classificação Brasileira de Ocupações (2006), o profissional da informação pode exercer, entre outras, as ocupações de: bibliotecário, documentalista e analista de informações (pesquisador de informações de rede), sendo suas atividades caracterizadas como:

Disponibilizam informação em qualquer suporte; gerenciam unidades como bibliotecas, centros de documentação, centros de informação e correlatos, além de redes e sistemas de informação. Tratam tecnicamente e desenvolvem recursos informacionais; disseminam informação com o objetivo de facilitar o acesso e geração do conhecimento; desenvolvem estudos e pesquisas; realizam difusão cultural; desenvolvem ações educativas. Podem prestar serviços de assessoria e consultoria.

O profissional da informação para atender estas demandas deve constantemente aprimorar seus talentos, e assim, estar habilitado ao desempenho de tarefas complexas e como consequência, pleitear melhores postos de trabalho. Desta forma, existe um esforço por parte das organizações no sentido de melhor empregar as aptidões de seus profissionais, fazendo com que conhecimentos, habilidades, criatividade e inovação contribuam para o aumento dos resultados das empresas.

Sobre a atuação do profissional da informação nas organizações, Dorabjee (2005) salienta a relevância do trabalho deste no gerenciamento da informação, porém sua importância, por vezes, não é refletida no preenchimento de cargos de chefia e direção, que de certa forma repercute a imagem que se têm destes profissionais, possivelmente um legado de tempos em que suas atuações se restringiam a bibliotecas. O trabalho realizado em um ambiente de arquitetura da informação é explicado por Wurman (1997, p. 232) como sendo um ambiente operacional com um potencial para gerar muitas ocupações profissionais. Seus objetivos são: levantar necessidades de informação, organizar e administrar conteúdos e facilitar o acesso a informação. O autor investiga o tema por décadas evidenciando esforços no sentido de apresentar conceitos que melhor caracterizem a arquitetura da informação. Seus princípios inicialmente foram aplicados na busca de informação em publicações gráficas, tais como mapas, guias e listas telefônicas, e em pouco tempo ganharam visibilidade e aplicabilidade em diversas outras áreas.

A arquitetura da informação é considerada por Batley (2007, p. 1) como uma disciplina cujo interesse é evidenciado em estudos realizados por diversas instituições de vários continentes. Seu emprego em ambientes organizacionais pode viabilizar a aplicação de estratégias e a elaboração de políticas que permitam o acompanhamento e o controle da utilização dos repositórios de informações organizacionais. Choo (1998, p. 217) destaca que a existência de uma parceria estratégica entre componentes de uma organização que gerenciam conteúdos, especialistas em informação e profissionais de tecnologia da informação é extremamente benéfica para a montagem de redes de informações organizacionais inteligentes, pois esta propicia a confecção de desenhos das arquiteturas informacionais, viabilizando, desta forma, a integração de processos.

O termo arquiteto da informação surgiu em sua forma mais ampla associada ao projeto, organização e distribuição de informação em meios digitais. Richard Saul Wurman cunhou esta expressão no ano de 1976, produzindo a partir desta ocasião estudos sobre o gerenciamento da informação, notadamente em publicações como Ansiedade da Informação, Arquitetos da Informação e Projeto Informacional,. A partir destas obras, conceitos a respeito do arquiteto da informação foram se delineando, o que permitiu o surgimento de novas publicações técnicas e de referência sobre o assunto que auxiliaram na construção de um perfil profissional que, na visão do autor incorpora conhecimentos de diversos campos do saber, o que pode ser corroborado no texto a seguir: Cabe ressaltar que para atuar como arquiteto da informação não é necessário ser um especialista nas profissões específicas, o trabalho do profissional utiliza conceitos de áreas correlatas e também integra a coordenação e controle do processo em tarefas multidisciplinares. (Baptista; Peón Espantoso, 2008)

Rosenfeld; Morville (2006, p.55) apresentam gráfico que evidencia a relação entre o crescimento do volume dos conteúdos armazenados e alguns fatos históricos relacionados com a Ciência da Informação, com o objetivo de situar o surgimento do arquiteto da informação, que ocorreu quase que simultaneamente com o raiar do fenômeno da internet. O arquiteto da informação é caracterizado pelos autores como um profissional que tem como missão organizar e facilitar o acesso a repositórios informacionais. O profissional que atua com arquitetura da informação cumpre, segundo Lotti (2006, p. 25-26), o papel fundamental de servir de elo entre as necessidades técnicas do projeto e os anseios e indispensabilidades dos usuários. Estes profissionais devem propor e desenhar projetos que evidenciem o gerenciamento de atividades informacionais.

A respeito do profissional que trabalha com a arquitetura da informação, Peón Espantoso (2000, p. 141) salienta que este é considerado um indivíduo que organiza a informação respeitando suas complexidades e idiossincrasias. O arquiteto da informação direciona seu trabalho aos usuários potenciais, nas estratégias e objetivos de negócio e aos princípios da usabilidade. Nas conclusões da pesquisa realizada por Roque Chao, (2006, p. 4-5) sobre profissionais da informação e arquitetos da informação que levava em consideração a literatura e sítios da web foram assinalados que estes possuíam conhecimentos e habilidades em organização da informação e exerciam atividades relacionadas com busca, recuperação e disseminação da informação.

Massanari (2007, p. 12) elaborou tese a respeito da interdisciplinaridade e políticas para o arquiteto da informação. Sua pesquisa levantou questões referentes às metodologias para emprego na área e as habilidades e competências necessárias ao pleno exercício profissional. A autora enalteceu em seu trabalho a importância do arquiteto da informação nas atividades de desenho, gerenciamento, produção e organização de conteúdos e na recuperação da informação. Em pesquisa realizada por Reis (2007, p. 221-227) foi identificado que o arquiteto da informação brasileiro necessita de formações e especializações multidisciplinares, tanto nas áreas de exatas quanto nas de humanas. Ainda segundo o autor os arquitetos da informação experientes já utilizam metodologias para o direcionamento de seu trabalho. Para a legitimação e uma melhor absorção do mercado de trabalho o autor destaca a necessidade do aumento do interesse de organizações e instituições de ensino sobre o tema, para assim, viabilizar o estabelecimento de novos cursos na área de arquitetura da informação.

A gestão de competências nas organizações
As origens da utilização do termo competência remontam da Idade Média, na época empregada, principalmente, para qualificar indivíduos que exerciam atividades na esfera jurídica. Aos poucos a utilização da palavra competência foi incorporada a atividades organizacionais, com o intuito de qualificar indivíduos, que executavam de forma eficiente conjuntos de tarefas.

O esforço para a mensuração de competências humanas foi caracterizado por Gilbert (1978, p. 15-27) por meio de modelos matemáticos que descreviam princípios relacionados ao comportamento humano. As origens que norteiam tal embasamento teórico levavam em consideração a possibilidade de quantificação de elementos formadores de uma competência. Esta, no ponto de vista do autor é função direta do desempenho que por sua vez está relacionada com o realizado, a razão do custo despendido, em outras palavras, indivíduos competentes são todos aqueles que realizam resultados valiosos sem despender custos excessivos. Dentro desta perspectiva, as competências fornecem informações preciosas para a identificação das necessidades dos mercados, essenciais para o gerenciamento de recursos humanos das organizações. No esforço de caracterizar as competências dos profissionais da informação, Valentim (2002) apresenta quatro categorias genéricas que delineiam características ligadas ao fazer e ao saber e visando atender as expectativas dos mercados de trabalho.

Figura 1 – Competências Necessárias ao Profissional da Informação

(Fonte: Valentim, 2002, p. 2)

As competências relativas à comunicação e expressão auxiliam na confecção de projetos de informação, capacitando usuários na utilização de recursos informacionais disponíveis. As competências relacionadas à área técnico-científica viabilizam a confecção de produtos de informação, tais como, normas jurídicas e políticas de informação. As competências gerenciais capacitam o profissional da informação na administração de unidades e serviços de informação. As competências sociais e políticas podem fomentar atitudes que intensifiquem e estreite relacionamentos entre atores de diversos setores da instituição, permitindo, desta forma, a identificação de novas demandas sociais.

Estudos sobre competências, desta forma, facultam aos gestores de recursos humanos exercerem uma administração de seu pessoal eficiente, em consonância com as políticas da organização. Administrar pessoas por meio de suas competências pode instituir a aplicação de métodos e práticas coerentes, que propiciem novos relacionamentos entre pessoas e organizações. O estabelecimento de procedimentos claros para a identificação e o gerenciamento de conjuntos de competências como aquelas centradas em características individuais, informacionais e organizacionais permite a formulação de quadros de necessidades em consonância com os objetivos e indispensabilidades estratégicas de uma organização.

Competências informacionais
Sobre as diferentes concepções a respeito de competências informacionais, Dudziak (2001, p. 31) recomenda que estas podem ser investigadas segundo os enfoques: mediação, conhecimento de conteúdos e aprendizagem. Como mediador, o profissional na ótica do autor deve franquear acessos a diversos sistemas e repositórios. A competência conhecimento de conteúdos propicia a atuação como intermediário na realização de pesquisas e demais demandas. No enfoque de aprendizagem, a atuação do profissional é estudada como um facilitador educacional.

O conhecimento de tecnologias, a comunicação interpessoal e a aplicação de modernas técnicas de gestão são encaradas como de importância fundamental para o desempenho dos profissionais da informação conforme apresentado pelo European Council of Information Association (2005, p.13). As competências propostas tais como: agilidade, criatividade, conhecimento técnico, capacidade de aprendizagem e colaboração imputadas aos profissionais da informação podem também ser aplicadas a uma série de outras atividades não sendo, assim, específicas de uma área de atuação.

Sobre o emprego de competências informacionais, Miranda (2004, p. 113) acrescenta que estas estão relacionadas a procedimentos e atuações em diversas fases do ciclo informacional, e devem estar aliadas a ferramentas de tecnologia da informação. Mais adiante a autora destaca que a caracterização de competências informacionais é particularmente importante, pois torna o trabalho do profissional da informação efetivo principalmente em atividades que fazem uso massivo de volumes de informação. Lecardelli; Prado (2006, p. 31) em seu estudo bibliográfico sobre a competência informacional no Brasil no período de 2001 a 2005 destacam as seguintes competências necessárias a atividades relacionadas ao ciclo informacional:
– entender a informação: compreender a estrutura da informação;
– identificar as necessidades informacionais: estabelecer a natureza e o volume das demandas;
– localizar a informação: planejar estratégias na busca pela informação;
– recuperar a informação: reaver a informação de forma eficiente;
– avaliar: analisar e estimar a informação;
– usar: integrar e sintetizar a informação;
– comunicar: informar adequadamente os resultados do trabalho;
– exercício da ética: respeitar a propriedade intelectual e os direitos autorais.
– Competências pessoais
Cada indivíduo apresenta um conjunto de características próprias adquiridas ao longo de sua existência que podem auxiliar na execução de tarefas em ambientes organizacionais. Estas particularidades que são caracterizadas como competências pessoais, por vezes, são próprias da natureza de cada ser, não possuindo relações com cursos ou especializações. Algumas delas podem ser de interesse para as organizações conforme destaca o texto a seguir:
Primeiramente serão abordadas as competências dos indivíduos, para depois proceder-se a um olhar para as competências organizacionais. Quando se trata da gestão baseada nas competências, há que se pensar numa organização que vê a si mesma como um conjunto de competências, existentes ou a desenvolver e administrar o estoque das competências individuais ou coletivas de seus colaboradores. (Ferreira, 2005, p. 127)

Torres (2000, p. 18) descreve a possibilidade de existir discriminações por parte do mercado de trabalho, no que se refere ao emprego de profissionais que obtiveram saberes por meio de experiências pessoais, por vezes, distantes dos processos formais de educação, e fornece como exemplo, análises realizadas em planos de carreira de diversas instituições. O indivíduo portador de tal competência ou conhecimento, por vezes, sente-se inibido em evidenciá-la, e assim, deixa de registrá-la em seus assentamentos inviabilizando uma melhor caracterização das ocupações em ambientes organizacionais.

As competências pessoais são caracterizadas por Baker, (1997, p. 266) como sendo, conjuntos de atributos e conhecimentos que o profissional deve apresentar para o desempenho de tarefas específicas, não de forma exclusiva, algumas de difícil detecção, pois dependem da natureza de cada indivíduo. Nesta linha de pensamento Zarifian (2001, p. 68) considera que competência pessoal é “… o tomar iniciativa e o assumir responsabilidade do indivíduo diante de situações profissionais com as quais se depara”.

Na figura 2 as competências pessoais são organizadas em quatro conjuntos (física, afetiva, do cotidiano e acadêmica). Na competência física são levadas em consideração a agilidade e resistência que o profissional deve apresentar no desempenho de uma determinada tarefa. Na competência afetiva podem ser observados aspectos relacionados ao temperamento, tato e equilíbrio emocional. A competência do cotidiano está associada aos aspectos sociais onde experiências costumeiras podem auxiliar o indivíduo no aprendizado de novas práticas.

Figura 2 – Modelo de Competências Pessoais

(Fonte: Greenspan; Driscoll ,1997)

O modelo apresentado se estrutura em três níveis distintos, no mais amplo a competência pessoal, No segundo nível é possível perceber as categorias básicas das competências pessoais (física, afetiva, do cotidiano e acadêmica), que figuram como estruturantes para a definição da competência pessoal. No seu nível elementar, estão as especializações das competências que criam conexões com as necessidades organizacionais, e assim potencializam a realização de objetivos que são valorizados nos indivíduos. Demo (2008, p. 39) destaca que nos modelos estudados para sua tese de administração em gestão de pessoas, existe a preocupação na integração de políticas de recursos humanos com os objetivos de uma determinada organização. Ela ainda enaltece a importância do desenvolvimento de competências pessoais, que além de contribuírem para a instituição, também propiciam satisfação pessoal, combinando indivíduos e funções de maneira apropriada, e assim promovendo o desenvolvimento da administração de recursos humanos.

Desta forma, o conceito de competência pessoal está intimamente relacionado com a mobilização de conhecimentos, atitudes e habilidades, porém não se limitam a um estado de formação educacional ou capacitação profissional e são percebidas como qualidades que diferenciam os indivíduos e que potencialmente auxiliam na execução de tarefas. Distinguir competências pessoais em indivíduos é uma tarefa complexa, pois, baseia-se em padrões, normas e valores de cada sociedade. Avaliações efetivas de comportamento são rótulos ajustados e adequados a requisitos que refletem contextos sociais. O esforço em traçar competências pessoais é uma forma de mobilizar atitudes e saberes para o desenvolvimento do indivíduo e da organização.

Competências organizacionais
A globalização econômica, a evolução dos meios de comunicação, o desenvolvimento tecnológico e a competitividade fizeram com que nos últimos anos as organizações vivenciassem grandes desafios. Estes aspectos transformaram sensivelmente a relação entre empregadores e empregados e auxiliaram no surgimento de diversos conceitos que melhor caracterizam o emprego de um profissional em determinada organização.Os autores Prahalad; Hamel (1990, p. 153) enaltecem a importância da confecção de estudos sobre competências no nível organizacional, e exaltam que neste nível as competências atingem relevância fundamental para o alcance dos objetivos estratégicos. As competências organizacionais são encaradas pelos autores, como bens de propriedade da organização, que podem ser acumuladas por toda existência de uma instituição provendo vantagens competitivas no mercado.

Ao longo do tempo, os perfis profissionais necessários para as organizações são atualizados no intuito de acompanhar novas demandas dos mercados. De acordo com o estudo de Baggio; Francisco (2005), as organizações buscam em seus profissionais, além do conhecimento específico necessário na elaboração de tarefas relativas ao ofício em questão, as competências organizacionais que quando bem aplicadas, podem estabelecer melhorias na execução de tarefas, aperfeiçoando processos de trabalho e assim, aprimorando a qualidade de produtos e serviços oferecidos.
O processo de aquisição de competências organizacionais é amplo, dinâmico e complexo devendo ser desencadeado de dentro para fora, ou seja, por meio das transformações internas as organizações conseguem estabelecer sistemáticas e rotinas que evidenciem novas demandas e apresentem alternativas que auxiliem no gerenciamento dos recursos humanos.

Hamel e Prahalad (1989, p. 17-21) exaltam que a base da vantagem competitiva de uma organização está no gerenciamento de suas competências organizacionais. Para exemplificar utilizam a figura de uma “árvore de competências” que em sua raiz estão as capacidades organizacionais, no caule estão as competências centrais derivadas do “aprendizado coletivo” e nas folhas são representadas as competências pessoais.As competências organizacionais na visão de Silvia; Fleury, (2003) são caracterizadas como um agrupamento de capacidades constituídas por protocolos, rotinas e políticas inerentes a uma dada cultura organizacional, especialmente geridas no sentido de concretizar os anseios de uma organização, e por vezes, recriá-los, permitindo a distinguibilidade e sustentabilidade da instituição em seu ramo de atuação.
A caracterização de competências organizacionais possibilita o alcance de níveis de efetividade que propiciam a aprendizagem e a implantação de transformações necessárias para a sobrevivência em mercados complexos e dinâmicos. A dificuldade natural das organizações em alinhar as políticas de informação e de pessoal com as demais estratégias, pode ser minimizada com a utilização de competências organizacionais na administração de recursos humanos.

Desta forma, as competências organizacionais são responsáveis pelas atividades-chave relacionadas a cada unidade de negócio de uma instituição. São construídas a partir de recursos e metas de cada instituição, emanando de atividades caracterizadas como elevadas, normalmente atribuídas ao nível corporativo refletindo objetivos e áreas vitais de uma organização.Fazendo uma analogia entre as competências organizacionais e as competências pessoais e informacionais, as duas últimas podem ser caracterizadas pela combinação de: conhecimentos, habilidades e atitudes. Como extensão, as competências organizacionais abrangem: políticas informacionais e pessoais, informações organizacionais, cultura organizacional e demais rotinas e procedimentos de uma dada instituição.

Das competências exigidas ao arquiteto da informação as técnicas e as científicas podem ser caracterizadas como competências informacionais, quando relacionadas ao gerenciamento da informação. As sociais e as políticas em alguns casos estão ligadas às competências organizacionais, principalmente quando refletem questões relacionadas a políticas de uma instituição.

Considerações finais

A complexidade do gerenciamento de indivíduos que compõem uma organização se apresenta como grande desafio para pesquisadores e demais interessados no estudo de fenômenos relacionados à administração de recursos humanos, pois está relacionada à indispensabilidade da detecção e levantamento de conjuntos de competências necessárias para uma determinada área de atuação, levando em consideração aspectos técnicos, pessoais e dos mercados de trabalho.

Conceituar competências, desta forma, torna-se essencial para o embasamento de modelos de gestão que se referem a repertórios de comportamentos que envolvem interesses ou motivações que descrevem os conhecimentos ou saberes abrangendo conceitos e teorias, as atitudes relacionadas ao saber-agir e as habilidades elencadas como o saber-fazer. Assim, as dimensões das competências estão intimamente relacionadas produzindo acoplamentos que evidenciam a necessidade de obtenção de conhecimentos na execução de tarefas. As componentes que formam as competências possuem certo grau de dependência sendo que em alguns casos devem ser adquiridas em conjunto, para um harmonioso desempenho de grupos específicos de atribuições.

O levantamento de forma sistemática de competências pessoais, informacionais e organizacionais permite um melhor aproveitamento do potencial dos recursos humanos em uma dada organização. No caso do arquiteto da informação, ocupação emergente que surgiu fruto da necessidade do emprego eficiente de modernas estratégias de tecnologia da informação aliadas a métodos e técnicas do gerenciamento da informação, desvendar suas competências se torna um desafio.

O arquiteto da informação por atuar em um meio onde existe forte influência da tecnologia deve estar atento às novas soluções emergentes. A aplicação de metodologias e o uso de padrões e soluções da área de Ciência da Informação estão em seu conjunto de atribuições. Neste sentido, seu espírito de empreendedor e de pesquisador é requisitado naturalmente no desempenho de atividades, principalmente na busca por respostas que desvendem os desafios de construções de arquiteturas da informação em ambientes organizacionais.

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